 | Category: | Music | | Genre: | Alternative Rock | | Artist: | Pato Fu |
Depois de um prolongado hiato de quase três anos, em função do nascimento da filha da vocalista Fernanda Takai e do guitarrista e compositor John Ulhoa, enfim o Pato Fu volta à ativa, com shows e CD novo. E voltam em grande estilo, com "Toda Cura Para Todo Mal" (2005 - Sony/BMG).
E qual é o resultado da soma entre três anos de tempo livre, um momento inspirador da vida de um casal de gênios musicais e um estúdio profissional nos fundos de casa, disponível vinte e quatro horas por dia? Só pode ser um disco de primeira qualidade, né? E quem apostou nisso quando resolveu desembolsar os cerca de vinte reais do CD (como eu), se deu foi muito bem.
Faz tempo que eu não faço isso, então vamos lá. Um faixa-a-faixa. Porque esse disco merece.
O álbum já começa matando a pau, com "Anormal". Sensível e chocante em medidas exatas. Pense em uma voz doce. Pensou? Não, essa não serve. Pense em uma mais doce ainda, tipo um anjo cantando "Nana, neném". Pensou? Agora dobre essa doçura vocal e você terá uma noção de como está a voz da dona Takai nesse álbum e principalmente nessa música. Isso sem contar a melodia simples e cativante e a letra de facíl identificação pessoal. "Mas que anormal eu devo ser / pra ver você em todo lugar". Como diz no próprio release da obra: "Anormal, a canção que abre o disco é daquelas que vamos ouvir até cair e ainda vamos querer mais." Concordo e assino embaixo.
A segunda faixa, com o nome mais-Pato-Fu-impossível de "Uh uh uh, lá lá lá, ié ié" foi a primeira a ganhar um "clipe", mesmo antes de o CD ir às prateleiras. A palavra "clipe" está entre aspas porque a verdade é que uma animaçãozinha em Flash feita em casa. Mas é superdivertida (tem pra assistir no site deles, www.patofu.com.br) e passou na MTV, então tá valendo. Como o nome já entrega, essa faixa é das mais cantaroláveis do CD. Alegre, com vocal de um agudo possível apenas por efeitos do computador mágico do John e com uma letra com vários trechos que com certeza vão acabar parando entre aspas em nicks de MSN Messenger, blogs e fotologs de muita gente. "Pra ver o sol nascer / não tem que pagar" e "Toda cura para todo mal/ está no Hipoglos, Merthiolate e Sonrisal" (trecho que dá nome ao álbum, inclusive), são só dois exemplos.
"Sorte e Azar" é a faixa três e é outra canção com letra inspiradíssima e vocal doce como algodão doce com sorvete de morango. Impossível conter um ou dois suspiros enquanto Fernanda Takai canta "O que está fora / de seu lugar / que você venha pra modificar" com um arranjo de violinos e guitarras limpas ao fundo.
Dando continuidade à audição, vem a faixa quatro, "Amendoim". A letra começa com o que eu só consegui identificar como um relato de um cachorrinho de rua e termina falando sobre bebês. Vai entender o Pato Fu... Mas tirando as loucuras muicais, é uma ótima canção, seguindo o padrão de qualidade da banda.
E por falar em loucuras, a próxima música do CD se chama "Simplicidade" e - acredite em mim - é uma música que você não escutaria em nenhum outro lugar que não fosse um CD do Pato Fu. Trata-se de um John com voz de robô, cantando um tema caipira sobre a simplicidade da vida no campo, acompanhado por uma moda de viola e barulhos de disco voador. Incrível, inacreditável... e muito estranho.
Depois de tanta loucura na faixa anterior, o álbum tenta recuperar a sanidade voltando ao vocal doce e fofo da Dona Takai na faixa seis, "Agridoce". Pato Fu clássico, lembrando muito o CD Ao Vivo lançado pela MTV há um tempo atrás. Mais uma pra classificar com os adjetivos básicos "linda", "emocionante" e etc... Fazer o quê?
"No Aeroporto", faixa sete, conta uma pequena historinha sobre uma mala passando no Raio X de um aeroporto (!) e serve de pretexto para Fernanda Takai e John (que também faz muitos vocais nesse disco) dividirem um refrão. Outra que segue o "Padrão Pato Fu de Qualidade Musical".
"Quem mexe com internet fica bom em quase tudo / quem tem computador nem precisa de estudo / Estudar pra quê?" é o início da letra da próxima faixa, "Estudar Pra Quê?", que John conduz com vocal cibernético e arranjos de guitarra e bateria beirando o punk rock, enquanto fala sobre as maravilhas da internet sobre o conhecimento humano. Ponto pro Pato Fu pela boa sacada e letra simples e direta.
E quando a gente já vai se esquecendo da doçura do álbum e se acostumando às loucuras de John, começa "Vida Diet", pra nos abraçar de novo com o único vocal que rivaliza com a primeira faixa em termos de doçura e meiguice vocal. Linda e sensível, fala sobre a capacidade humana de se adaptar a condições de vida às quais a gente não está acostumado. "Me habituei ao pão light / À vida sem gás / O meu café tomo sem açúcar / E até ficar sem comer, sem te ver / A gente custa mas se habitua".
Voltando às loucuras, o álbum segue com "O Que é Isso?" e "!", duas canções onde o nível de experimentalismo do Pato Fu é testado e comprovado. A primeira conta com uma série de perguntas sem resposta feitas por uma Fernanda com vocal eletrônicamente sussurrado enquanto um John "com voz de pato" (aquelas que as reportagens usam para manter a voz de alguém no anonimato, sabe?) pergunta, ao fim de cada uma: "O que é isso?" Já a segunda é uma instrumental em que o instrumento mais evidente é, ou melhor, são, os gritos da platéia. Não, você não leu errado, essa música usa gritos histéricos de platéia e aplausos manipulados eletronicamente (provavelmente gravados em algum show da banda) para construir a melodia. Claro que barulhinhos loucos, tecladinhos, moogs, baixo, guitarra e bateria não faltam, mas o charme são os acordes formados por berros. Definitivamente, o John é gênio.
"Tudo" é a próxima música, que volta à normalidade das canções (apesar de contar com alguns tecladinhos meio psicodélicos ao fundo) e fala sobre como tudo muda mas fica sempre igual. "Tudo que se perde ganha / Tudo que levanta cai / Tudo que bate apanha / E tudo se encaixa".
E, pra terminar (Ah, mas já? Que pena...), "Boa Noite Brasil". Uma das letras mais legais do CD, mostrando como o guitarrista John está cada vez mais se especializando como compositor John. Quem faz música sabe o quanto é difícil escrever letras que contam uma historinha completa, com início, meio e fim. E essa canção conta a história de um apresentador de telejornal (é engraçado imaginar o William Bonner como o personagem da história) que erra, ficando "pê da vida" com todo mundo e mandando meio mundo longe. Essa música também conta com a única participação especial do álbum, a cantora portuguesa Manuela Azevedo, que também é líder de uma banda lá em Portugal, chamada Clã. Uma boa escolha, por sinal, já que as vozes das duas moças (ela e Fernanda Takai) soam muito bem juntas e o sotaque português dá um charme legal ao som.
"Toda Cura Para Todo Mal" termina com a inevitável vontade de voltar a ser ouvido. Parece que depois de assinar a produção de álbuns como "Let It Bed", do ex-Mutantes Arnaldo Baptista, e da banda gaúcha Wonkavision (que eu também resenhei aqui), entre outros, o John definitivamente pegou o jeito da coisa. Tanto que esse é o primeiro CD do Pato Fu no qual ele assina a produção sozinho. E o resultado é um álbum para ficar sempre perto do rádio. Ouça no volume máximo. 
 | tanita wrote on Jun 27, '05, edited on Jun 27, '05 Se eu tivesse uma banda, contrataria o Fábio pra fazer resenhas e venderia muitos discos! Sério, Fábio, você convenceu a mim - não ao meu bolso, mas pelo menos a mim - a comprar esse CD. Se quiser levar uma conversa com o bolso, fique à vontade. :) |
 | Ó ceus! Não sei como alguém que nem tinha interesse no CD leu uma resenha desse tamanho! heheh!!
Conclusão um: eu preciso escrever resenhas menores! Conclusão dois: tu não tem mais o que fazer! Hehehehe!! |
 | Hunft... Seu ingrato! Eu li tudo porque você pediu!
...E também porque não tinha mais o que fazer, admito. ;P |
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